Segunda temporada de "Eu Nunca" foi feita para torcida do Paxton

A segunda temporada da série Eu Nunca, da Netflix, faliu o #teamBen sem dó. Eu terminei a primeira temporada torcendo pelo Ben, mas isso era o que os roteiristas queriam. Afinal, Ben estava arrasando e o Paxton não dava uma dentro. Na segunda parte, os roteiristas viraram a mesa, se for analisar episódio por episódio, dá para ver que o Ben mal aparece.

Ele recebe poucas cenas fofas para dar um fôlego e a gente lembrar que ele existe, mas a família dele não aparece e nenhum episódio é aprofundado nele. Enquanto isso, Paxton ganha um episódio só dele, com uma narradora exclusiva, a Gigi Hadid. Não tinha como o resultado ser diferente.


Foto: Netflix/ Reprodução


O que tudo indica é que o futuro da trama vai engajar nesse ping pong e favorecer o Ben de novo, o que na verdade está ficando chato. “Eu Nunca” é promissora, mas decaiu da primeira para a segunda temporada, o que nunca é um bom sinal. 

What goes around comes around

Imagem: Netflix/ Reprodução


A última temporada acabou com um grande dilema para Devi, não só de escolher entre dois interesses românticos, mas de abandonar o seu país. Em dois episódios a segunda temporada “resolveu” essas questões, com a mãe de Devi desistindo da ideia de ir para a Índia de uma hora para a outra. 

E como ficou o fim da segunda temporada? Igual, dividida entre dois caras (ok, ela escolheu, mas aquele último olhar do Ben deixa claro que é apenas temporário). A conclusão é: “Eu Nunca” teve dez episódios novos e voltou para a estaca zero. 

Cadê a Rebecca?

Na primeira parte, a personagem Rebecca, irmã de Paxton, interpretada por uma atriz com síndrome de down foi um dos grandes destaques. Tanto pela forma natural que ela foi incluída no roteiro, quanto por ela ser uma personagem sincerona e divertida. Aparentemente os roteiristas ignoraram o fuzuê, pois a menina aparece por uns dois minutos na temporada inteira.

E ela não foi a única a desaparecer. O romance de Fabiola e Eve também ficou na superfície, as personagens aparecem bastante, mas não possuem destaque. O arco criado era que Fabiola não conseguia interagir com as amigas de Eve, e eles bateram nessa tecla até não poder mais. Por ser um primeiro relacionamento de Fabiola, os roteiristas podiam explorar outras inseguranças.

Rivalidade Feminina

Imagem: Netflix/ Reprodução

O que gostamos em “Eu Nunca” é que não gostamos de Devi. A menina só ferra com tudo e age na pura impulsividade. Isso é o que a torna uma adolescente real, e deixa a história muito engraçada. Eu apoio a imperfeição da protagonista, mas usar a rivalidade feminina para isso não foi uma boa escolha. 

Para quê? Para quê colocar uma menina indiana bonita para ser a “concorrência” de Devi? Esse tipo de plot está para lá de ultrapassado para uma série que se considera tão contemporânea. Além de ficar politicamente incorreto, ficou chato, por mais que a Aneesa seja uma personagem legal. 



Estou criticando porque o trabalho é criticar, mas vi tudo em poucos dias, me diverti para caramba e com certeza vou ver a próxima quando o dia chegar. O jeito é torcer para que “Eu Nunca” continue bebendo da fonte de “Jane The Virgin” e “One Day At a Time”, mas encontre a sua própria originalidade antes de se tornar obsoleta.


Nem tirei tempo para falar desse personagem lixo, mas queria dizer que amei a sacada dele ser um "ex-disney", ficou muito parecido com o Troy de High School Musical.





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