Novo "Gilmore Girls"? Só se trocar a Lorelai pela Viúva Negra

Foto: Reprodução/ Netflix


Continuando a Semana das Mulheres, porque um dia é muito pouco, com mais uma resenha de série com mulheres protagonistas fodas (livre de spoilers até você chegar no “Spoiler alert”). A série é uma mistura de "Desperate Housewives" e "Sex Education", tem uma mãe que faz coisas questionáveis pelos filhos, e uma adolescente que faz coisas questionáveis de adolescente. 

Conquistando o top 1 da Netflix por algumas semanas, “Ginny & Georgia'' está dando o que falar por passar pano para crime e fazer uma piada sexista envolvendo a Taylor Swift. As duas coisas aconteceram mesmo, mas eu continuo recomendando, acredito que vale a pena assistir.

A trama é super interessante e envolvente, o tipo de série que você maratona no desespero de saber como acaba. Por mais que tenha uma pegada dramalhão high school, a série entrega tuuudo no suspense sobre quem é Georgia, a mãe da Ginny cheia de mistérios. 

Inclusive, a série podia se chamar Georgia e Georgia kkkkk Nada contra a Ginny, mas a mãe dela carrega os episódios, você ama Georgia, você tem medo da Georgia, você quer ser Georgia... simplesmente um ícone. Para dar uma segunda opinião sobre a série, eu convidei a minha amiga e jornalista Bruna Rudnick. Vamos ver o que ela achou:


“A trama é envolvente e válida, mesmo com a raiva que a Ginny me fez sentir e os panos que eu passei pela Georgia kkkkkk. Em relação aos personagens, o único que não é tão problemático (ainda) é o fofíssimo prefeito da cidade, que desenvolve um romance com Georgia.

O resto é uma bagunça de gente surtada, assim como na vida real. As amigas adolescentes de Ginny, são péssimas amigas, assim como Ginny.  O Hunter, namoradinho de Ginny na série, é o senhor perfeitinho que faz com que ela se sinta sempre inferior ou insuficiente. E, por fim, o Marcus, outro crush de Ginny, é o personagem mais “quebrado” da série, e também o mais real. 

Ainda assim, os personagens coadjuvantes têm muito potencial, até mais que a Ginny em alguns momentos. A Max, melhor amiga da Ginny, tem uma personalidade que pode se transformar em uma nova trama por si só. Já a Abby, outra amiga do grupo, me deixou bem preocupada, quem viu sabe e quem não viu vai ficar preocupado também. Você também vai se preocupar com Austin, o irmão mais novo da Ginny e segundo filho da Georgia, que é uma fofura, mas precisa de um bom psicólogo. Aliás, todos eles precisam.

No geral achei a série boa, mesmo a Ginny sendo bem egoísta e vivendo em seu próprio universo. A verdade é que foi um começo, muitos tópicos foram abordados, mas nenhum realmente desenvolvido. O potencial para próximas temporadas é grande, e acredito que se transformará em uma daquelas séries que tem temporadas infinitas, até o público não aguentar mais e o cast implorar por novos horizontes kkkkk, bem Pretty Little Liars ou Grey’s Anatomy.” - Bruna Rudnick

Vários canais compararam a série com "Gilmore Girls", mas, para uma fã de Gilmore Girls que viu as sete temporadas inteiras mais de uma vez, eu discordo. A Rori era muito mais madura do que Ginny, e a Lorelai não era o tipo que casaria por dinheiro, algo que Georgia faz muito. As semelhanças ficam em ser uma história de mãe e filha, a mãe morar em um hotel quando a filha era pequena, e um amor complicado com o pai da filha. Acredito que nesse sentido, a nova série da Netflix se inspirou no sucesso dos anos 2000. 

Polêmicas

Foto: Reprodução/ Netflix

Em um momento da série, a Ginny fala "você troca mais de namorado do que a Taylor Swift". Eu gosto da Taylor, sei que ela sempre foi julgada por isso e que não é verdade (e se fosse, qual o problema, deixa a mulher namorar quem ela quiser). Mas também não culpo quem escreveu a série de incluir isso, parece algo que uma adolescente americana diria. Inclusive, elas não foram gentis com a Britney Spears também.

A polêmica da romantização do crime fica difícil de tratar sem spoilers. Assiste lá e depois leia a minha análise na sessão abaixo. Acredito que até aqui você já sabe se tem interesse em ver ou não. Eu recomendo para quem gosta de série teen, porque, se você não curte, não vai gostar mesmo. Agora, para quem já viu, vamos falar sobre os assuntos mais picantes abaixo.



SPOILER ALERT

Romance duvidoso

Foto: Repodução/ Netflix

Estou apaixonada pela série mas também estou INDIGNADA. Coloquei esperando romances e eles me entregam dois casais cheios de fogo mas que não acabam juntos. Concordo com a Bruna que o prefeito é um amor, mas não shippo ele com a Georgia não. Acho que ele não conseguiria lidar com o passado dela, se ele soubesse, e eu não o culpo, porque né, não é fácil ser marido de alguém que já matou dois maridos. 

Cadê Georgia e Joe? Cadê Georgia e o pai de Ginny? Cadê Ginny e Hunter???? Não dá, affff. A Bruna também está nessa agonia, mas eu puxei para cá porque não dá pra dizer para quem não assistiu que os casais não deu certo kkkk deixa o povo sonhar. 

“PRECISO saber como eles desenvolverão o relacionamento entre a Georgia e o que acontecerá com o Marcus, o único adolescente um pouco sensato. E espero ver o Hunter o mínimo possível, ele foi o meu personagem detestável kkkkk, ele é bem egocêntrico e seu objetivo é mostrar para todos os outros que ele é superior e perfeito.” - Bruna Rudnick

Precisamos, Bruna, precisamos. Também gamei no Marcus, mas ele não é nenhum santo kkkk E o Hunter pode até ser um cara legal, não merecia o chifre, mas aquele casal era totalmente inshippável, zero química. Mas bem verdade que eu estava tão focada na gracinha que é o cozinheiro Joe, que até esqueci de shippar o resto kkkk 

Se a Lara Jean (Para Todos os Garotos que já Amei) está certa, eles vão ficar juntos. No último filme da trilogia, a personagem diz que, em uma comédia romântica, quando um casal tem um “meet cute”, um momento em que eles se conheceram anos atrás de forma fofa, é porque eles vão ficar juntos. E o Joe e a Georgia tiveram o melhor meet cute da vida. Espero que a Netflix leve isso em consideração.

Precisamos falar sobre Austin

Foto: Reprodução/ Netflix

Vários personagens precisam de ajuda psicológica, e chega a ser agoniante como todos estão passando por tantos problemas. Estamos “acostumados” em ver adolescentes sofrendo na Netflix, mas Austin foi surpreendente, numa vibe “precisamos falar sobre Kevin”. Primeiro porque ninguém esperava que ele fosse receber destaque na trama. E, depois, porque ele se torna uma criança extremamente problemática (e querida) com os ensinamentos da mãe. 

Sobre a Abby, achei muito triste como ela odiava a própria imagem. A Ginny se queimando também deu uma agonia gigantesca. Essas adolescentes precisavam de ajuda, mas nunca se ouviam nem se apoiavam. Por mais que a trama tenha desviado da escola, por causa do final, do qual logo vamos falar, acredito que a Abby aparecerá de novo, e tenho medo de como essa história vai se desenvolver.

“As outras meninas falham muito com ela, sendo péssimas amigas mesmo, a probabilidade dela cometer um ato extremo contra a própria vida é bem grande, ao meu ver.” - Bruna

E agora, o que dizer sobre o final. Eu gostei na verdade, achei que a Ginny estava certa, se é que tem como estar certa numa situação dessas. Denunciar a mãe seria muita ingratidão, mas ser conivente com o assassinato e dizer que isso é ok também não rola. A ironia da coisa é que agora ela é a sobrevivente, e precisará repetir alguns feitos da mãe.

Não sei se vocês também gostaram, a Bruna não gostou: “A Ginny fez besteira no final da temporada por repetir o que a mãe dela fez na juventude, reproduzindo o que ela tanto criticou.”

Bom, o jeito é esperar a segunda temporada para ver se a Ginny se tornou uma mulher foda ou se logo vai voltar para o dramalhão. E vamos, finalmente, às polêmicas. Eu acho que a série romantiza o assassinato sim. Tanto da forma como ela faz, com veneno, de forma não sanguinária, até na forma como ela esconde os rastros e se livra. 

É pra gente achar que ela não é tão má assim, mas a mulher matou duas pessoas, que a gente saiba, podem ser mais. Eu passo pano para o tiro que ela deu no pai e por ela ter matado o primeiro marido, com quem se casou apenas para ter a guarda de Ginny. Ainda não sabemos porque ela incriminou o segundo marido, pai do Austin, mas acredito que será algo que vamos passar pano também.

Agora, o último marido, fica difícil de defender. Ok, o cara era péssimo e assediava a filha dela. Mas ela podia ter se divorciado e denunciado o assédio, inclusive. Ela não teria as garantias financeiras e sofreria muita humilhação no processo, mas é o que as pessoas fariam. Matar o cara não é a resposta. 

Acredito que a Georgia vem ainda mais criminosa na próxima temporada, afinal, é por isso que a gente gosta dela. A mulher que pega e não se apega, se vira nos 30, não tem medo de nada e se safa das coisas que faz. Ainda assim, seria legal ver uma Georgia que se sustentasse com o trabalho, ou até com roubos kkkk, mas não com um marido rico. Ela é melhor do que isso.


E você, o que achou da série? Conta nos comentários



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