Resumo das três primeiras partes da série e análise da quarta parte
Em 31 de dezembro, foi lançada a quarta e última parte da série O Mundo Sombrio de Sabrina, que teve início em 2018. Baseada na história em quadrinhos de mesmo nome, a série acompanha Sabrina Spellman, uma bruxa que está aprendendo a usar seus poderes ao mesmo tempo em que lida com problemas comuns da adolescência. A série se destacou desde a primeira temporada por causa do tom de suspense e terror, incomum em séries adolescentes.
Se você não viu nenhuma temporada, recomendo que você assista a série caso goste de suspense e romance (imagine uma mistura de Lúcifer com Sex Education), e lamento dizer que sua leitura acaba aqui. Se você ainda não assistiu a última parte, abaixo eu farei um resumo de tudo que aconteceu nas três primeiras partes, mas, infelizmente, não recomendo a leitura do restante (muito spoiler envolvido). E, finalmente, se você terminou a série, esse texto é para você. Vamos começar?
Resumão (contém spoilers das partes 1, 2 e 3)
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| Aniversário de 16 anos da Sabrina, na parte 1. Foto: Diyah Pera/ Netflix |
A história de Sabrina começa com a aproximação do seu aniversário de 16 anos, no qual ela deverá passar pelo Batismo das Trevas, e, com isso, abdicar de sua vida humana. Ela é mestiça (metade bruxa e metade humana) e não está disposta a abandonar sua escola e seus amigos, até porque abdicar do seu livre arbítrio ao assinar o nome no Livro do Senhor das Trevas não é muito convidativo.
A garota faz de tudo para fugir dessa obrigação, mas com a Sra. Wardwell (Lilith, no caso) na sua cola, Sabrina é obrigada a assinar o nome no livro para salvar o dia, e imediatamente recebe muito poder. Esse novo poder faz com que ela mude a cor do cabelo e decida dedicar-se mais à Academia das Trevas — a temporada acaba e Sabrina é oficialmente sombria. Seu relacionamento com Harvey termina com o incidente “matei o seu irmão” e Lilith ressuscita a Sra. Wardwell.
Claro que todo esse poder tinha uma razão, como descobrimos na parte 2. Sabrina começa a ser possuída e seus poderes aumentam exponencialmente. Tudo é explicado quando Prudence encontra uma profecia que mostra Sabrina como agente do Apocalipse, a responsável por ressuscitar o demônio. E por que ela? Porque ela é filha de Lúcifer! A mãe de Sabrina pediu para que o Senhor das Trevas a abençoasse com um bebê e ele fez um pouco mais que isso. Sabrina não é uma Spellman, afinal, e sim uma Morningstar.
Mas claro que a menina não iria corroborar com o plano do pai de trazer o Apocalipse à Terra e escravizar as bruxas, e recorre a uma armadilha para prendê-lo. Infelizmente, a armadilha não funciona, e em um ato desesperado, Nick, o novo namorado, conjura o demônio, prendendo-o no seu corpo. Lilith torna-se rainha do inferno (provisoriamente) e leva Nick com ela para o reino dos mortos. Também é nessa temporada que Zelda casa com o Blackwood, mas tem coisa que é melhor nem lembrar.
Na terceira parte, Sabrina decide reivindicar o seu trono no inferno para salvar Nick. A sua posse, no entanto, é desafiada por Caliban, e ambos iniciam uma competição pela coroa — quem encontrar as três partes da Regalia Sagrada primeiro, vence. Enquanto ela está ocupada com isso, o Coven em Greendale está perdendo poder, pois o recebiam de Lúcifer e não estão nas graças dele desde que tentaram derrotá-lo.
Eles decidem fazer um banho de lua para aumentar seus poderes, mas o evento é interrompido por um grupo de pagãos. O novo plano foi convidar bruxas sem Coven a se unirem a eles. Enquanto isso, os bruxos pagãos inauguram um parque de diversões na cidade e pretendem dar vida ao Homem Verde, que matará todos os humanos. Para isso, eles precisam sacrificar um virgem, e Harvey é o escolhido. O plano deles é um sucesso e, ao mesmo tempo, Sabrina é aprisionada por Caliban. E agora?
Sabrina utiliza de um ciclo do tempo, e faz com que a Sabrina do passado troque de lugar com a Sabrina do presente (aprisionada), para que essa possa salvar o dia. Ela retorna a Greendale, que está destruída, e utiliza a Regalia Sagrada que conquistou no inferno para criar um instrumento de viagem ao tempo. Assim ela corrige seus erros, todos ficam salvos e está na hora dela voltar ao ponto da troca das Sabrinas e restaurar o equilíbrio do espaço-tempo. No entanto, ela decide voltar minutos antes da Sabrina salvá-la, em um momento em que ambas estão livres, e elas fazem um acordo — uma delas será a Rainha do Inferno e, a outra, uma adolescente comum. Confuso, não?
Ambrose avisa que essa coexistência de Sabrinas pode causar problemas. E, falando em problemas, Blackwood, agora imortal por causa da marca de Caim, fura um ovo, literalmente, liberando espíritos malignos. Enquanto isso, o Coven se reunifica, com as novas bruxas, e torna-se a Ordem de Hécate, passando a adorar a Deusa Mãe, e tem Zelda Spellman como líder. Ah, e Nick não está mais com a Sabrina, porque ele se traumatizou no inferno, nem Prudence está com o Ambrose, porque ele a impediu de matar Blackwood. Que situação. Agora você está pronto para assistir a parte 4!
Duas Sabrinas e Oito Terrores
A quarta parte da série tem esses dois eixos de trama, o fato de terem duas Sabrinas (mais presente nos primeiros episódios) e os oito terrores liberados pelo Blackwood (um terror por episódio). Esse formato de vários problemas ao mesmo tempo teve o efeito contrário do esperado — tornou a trama menos dinâmica. Não teve finais de episódios avassaladores, que me fizessem correr para ver o próximo, mas sim oito filmes de uma hora, com a mesma história: está tudo bem, aí algo acontece e fica tudo bem de novo.
A existência de duas Sabrinas ficou em segundo plano e foi pouco explorada. As consequências dessa duplicidade foi apenas um caso de inveja porque a Sabrina do inferno tinha namorado enquanto a outra não tinha, e um desequilíbrio cósmico. Elas não divergiram de personalidade, nem quiseram a vida uma da outra ou compartilharam de apegos com outras pessoas. Eu acho estranho como a Sabrina Morningstar (a Rainha do Pandemônio) desapegou-se tão facilmente de seus amigos e família e conformou-se a viver no inferno.
Inclusive quando os outros personagens descobrem a coexistência, isso não os incomoda. As tias não têm amor pela Sabrina Morningstar assim como Lúcifer não reconhece a Sabrina Spellman, sendo que elas são a mesma pessoa. Caliban e Nick mantêm-se apaixonados por uma determinada Sabrina sem questionar se teriam sentimentos pela outra também. E então, quando a Sabrina Morningstar é enviada para o outro Cosmo, ninguém espera que a Spellman assuma seu lugar como Rainha do Inferno. Estranho.
Para não me prolongar nos oito terrores, acho que é um consenso que alguns foram derrotados fácil demais. Os mais interessantes, para mim, foram a Escuridão, o Estranho, o Perverso e o Vazio. Os outros só aparecem para fazer número. O pior de todos foi o Infindável, do episódio 07, ambientado no outro Cosmo. Apesar do episódio lembrar o começo da série e trazer as atrizes que interpretaram Hilda e Zelda na série antiga, eu achei muito muito chato. Como os terrores estavam piorando, a tensão estava crescendo, mas foi cortada por esse episódio. Inclusive, nem sabemos que fim levou o terror Infindável. Maior erro da temporada.
Arcos intermináveis
Os coadjuvantes de Sabrina eram a grande vantagem da série. O sofrimento de Prudence, a inteligência de Ambrose, o tino de Rosalind, e a descoberta de Theo. Todos arcos muito bem construídos de personagens queridos. Infelizmente, o final da série não trouxe muito disso. As cenas de amizade tornaram-se cenas de pegação dos casais ou cenas musicais (ambas utilizadas demais). O Mundo Sombrio de Sabrina é uma série adolescente, mas o tom adolescente foi o que mais prejudicou o final da série. A história era interessante e as cenas de intriga, namoro e banda apenas atrasaram os acontecimentos.
Apesar de Ambrose, Prudence e Roz ainda terem destaque, muitos coadjuvantes tornaram-se figurantes na trama, entre eles Harvey, Nick (que só apareceu da metade pro fim), Theo, Puck e Lúcifer. Isso sem falar de Judas e Judith. Foi todo um bafafá o nascimento desses gêmeos e quando Blackwood os sequestrou, mas desde então os personagens nem ao menos receberam falas. A personagem que, mesmo coadjuvante, fez toda a diferença na trama, foi a Mambo Marie LeFleur, dona do meu coração todinho.
E vamos falar dos casais. Foge de mim querer que um casal termine separado, mas até eu preciso assumir que as uniões foram para lá de forçadas. A parte 3 separou os dois casais queridinhos do público — Sabrina e Nick, Prudence e Ambrose — ambos separados por bons motivos. Aí os primeiros episódios trazem Prudence e Nick namorando, apenas para terminá-los abruptamente. Nick decide que ainda ama Sabrina DO NADA. Ok, ela quase morreu com o Estranho e ele ficou preocupado, mas, ainda assim, o casal merecia um retorno mais impactante. Quanto a Prudence e Ambrose, que eu imaginei que jamais voltariam, o final da série dá a entender que eles ficarão juntos.
Pontas Soltas
Para episódios que começam e terminam em si mesmos, muita coisa ficou sem conclusão. Duas me incomodaram mais: Caliban e o comerciante.
Quando Sabrina Morningstar decide casar com Caliban, suspeitamos que essa não é a melhor ideia, o que é confirmado quando ele tenta matar Lilith grávida. A busca pelo trono do inferno, porém, acaba aí. Quando sua esposa morre, ele não tenta conquistar o Reino dos Vivos, como ele disse que iria. Ele chega a ficar triste, e as cenas do episódio 07 (aquele do outro Cosmo), mostram que ele e a Sabrina se gostam. Depois, a outra Sabrina decide manter o Caliban no Vazio. Afinal, Caliban amava Sabrina ou a usou pelo trono? Ninguém sabe.
Desde a primeira aparição, no episódio 4, o comerciante de itens mágicos era interessante. Imaginei que ele seria um dos Terrores, mas suas próximas aparições mostram que ele é um ser do bem. Foi ele quem derrotou o Perverso e o Vazio, afinal, Ambrose e Sabrina não tinham ideia do que fazer até receberem a Pedra da Realidade e a Caixa de Pandora. Infelizmente, nenhum dos personagens lembrou de agradecer e fazer perguntas ao comerciante, e nós ficamos sem saber quem ele é.
Para não dizer que não falei das flores
Perdoem-me se fui muito crítica até aqui, isso não significa que eu não gostei do final. Pelo contrário, eu gostei da trama dos oito terrores. Decepcionei-me um pouco com os primeiros episódios, mas o último episódio é incrível. O final pode desagradar alguns, mas eu achei digno. A morte da personagem principal era necessária — seria muito decepcionante se saíssem todos vivos. Ela combateu quatro terrores e incorporou dois, além de desafiar o espaço-tempo. O final tinha que ser esse.
E, para mim, o final foi a conversa de Zelda e Hilda sobre porque Hécate não salvou Sabrina (e, assim como elas, não teremos resposta). A cena do pós-vida foi totalmente desnecessária e, já que insistiram em colocá-la, poderia apenas mostrar que a menina estava bem. Agora, matar o Nick e levá-lo para o céu também???? Que mensagem isso passa para os adolescentes que estão assistindo, suicidem-se e fiquem com a pessoa amada? Achei irresponsável. Eles deveriam ficar juntos quando realmente chegasse a hora dele morrer.
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| Foto: Reprodução da série |
Falei que ia falar das flores, mas voltei aos espinhos haha. Obrigada a todos que acompanharam até aqui, espero que tenham gostado da análise. Me contem o que vocês acharam desse final nos comentários. Beijos e até a próxima!



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